Pular para o conteúdo principal

Crônica (Francisco Rodrigues)

Crônica: 

Esse Tal de João Victor 

A mãe entra no quarto e encontra o filho sobre a cama completamente embrulhado, ela sente dificuldade em saber de qual lado está sua cabeça. Aí ela se aproxima e efetua umas palmadinhas de leve sobre aquele embrulho azul.
- João Victor, tá na hora de se levantar.
- Ah, mãe!
- João Victor, levanta, vai tomar banho pra ir pra escola, inseto ruim! Se não você vai chegar atrasado.
- Ah, mãe!
- João Victor, eu vou contar até três e se você não se levantar, você já sabe o que vai acontecer...
Ela arrasta o lençol num supetão, João Victor salta da cama sonzo. 
- Ah, mãe, que merda!
Ver algo estranho no filho.
- João Victor, com quem você aprendeu isso?
- Isso o quê, mãe? Eu, hen?
- João Victor, me dá teu celular.
- Pra quê, mãe? Ah, meu Deus?
Vasculha o celular e quase desmaia.
- João Victor, do céu, que porcaria é essa?
- Eu, hen?
- Você está aprendendo essas coisas na internet! Isso é coisa pra um menino da tua idade, João Victor?
- Foi meus amigos que mandaram pra mim...
- Muito bonito!... Eu já pedi pra teu pai tomar esse celular, mas ele tem a cabeça dura que só casco de tartaruga.
- Ah, mãe!
- João Victor, você esteve online até às três da manhã, aí te pergunto: fazendo o quê?
- Teclando com meus amigos, ué!
João Victor corre pro banheiro. Minutos depois, toc, toc, toc!
- João Victor, pelo amor de Deus, você vai passar o dia inteiro nesse banheiro, menino? Você está atrasado!
- Já tô indo, mãe! Tô banhando!
- João Victor, eu vou ter um infarto!
Ele sai do banheiro correndo, ainda molhado.
- João Victor, tuas orelhas têm sabão... e teus olhos não saiu nem a remela. Volta pro banheiro, cobra ruim!
Após o banho...
- Ah, mãe!... Nem vai dar tempo de merendar.
- Merenda na escola.
- Não gosto da merenda da escola, ora!
- Então morra de fome!
Mete os dedos na boca do João Victor.
- João Victor, você não escovou os dentes, né?
- Claro que escovei, né, mãe?
Na cozinha...
- Menino, fecha essa geladeira, tá gastando energia. Me dá a praga desse celular, se não você vai chegar atrasado na escola, pintura! Pro capeta só falta o rabo...
Ele sai correndo na rua com os cabelos escorrendo água.
- Cuidado com os carros! 
- Tá, mãe!
- Olha os ladrões!
- Tá, mãe!
- Não dá confiança pra estranhos!
- Tá, mãe!
- E respeita a professora!
- Tá, mãe! Que droga!
Na escola... A professora...
- João Victor, eu tô te vendo...
- Tá bom, fessora!
- João Victor, senta aqui perto de mim, para de beliscar esse menino!
- Tá bom, fessora!
- Eu vou ter que mandar chamar teu pai, será? Hoje você  vai  ficar sem  recreio...    João Victor, cadê a atividade que pedi pra você fazer?
- Não sei, fessora. 
- Eita meninozinho burro, esse tal de João Victor! Não vai aprender nada!
- Credo, fessora!

Autor: Francisco Rodrigues.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Delirium tremens

Delirium tremens Acordei de manhã e me espreguicei mas ao olhar para o lado vi que tinha alguém ou alguma coisa ao meu lado foi então que o pesadelo começou. A noite anterior era um borrão em minha memória me lembrava apenas de ter saído para beber com uns amigos e logo depois disso nada, apenas visões de um homem de chapéu preto e uma mulher junto dele, os dois riam muito e depois desapareceram e agora eu acordei com o cadáver de uma mulher ao meu lado na cama e não faço a menor idéia  que aconteceu. Tento relembrar os fatos que me trouxeram a essa situação eu não seria capaz de matar ou seria? Parei de beber por uns bons motivos posso até enumerar todos mas acho que devido a presente situação tenho que ganhar e não perder tempo  tem muito sangue na moça e em mim estou apavorado e até que um gole não cairia mal, mas acontece que um homem nu ao lado de um defunto e com sangue nas mãos nem pode se dar ao luxo de fazer nada a não ser ficar apavorado e eu estou acreditem, ...

PoetAlternativo meu primeiro livro de poesias compre pelo site da Versejar editora e ganhe um convite para uma sessão de autógrafos exclusiva

http://versejar.lojaintegrada.com.br/poeta-alternativo É só acessar o site 

Conto Amigos,amigos, amores de Peggy

Amigos,amigos amores de Peggy (Um conto romântico) Peggy era uma garota tímida e típica dos anos 80, tinha feito um penteado para ficar parecida com a estrela da novela das oito e aquele cabelo curto tipo um menino a diferenciava no colégio por isso era sempre rejeitada pelos colegas ainda mais porque era pobre e conseguira uma bolsa porque sua mãe trabalhava como inspetora de alunos no Colégio Santa Clara.  Mas como toda menina ela tinha sonhos, suspirava pelo rapaz mais cobiçado pelas moças, Salomão Friedman filho de um dos homens mais ricos de São Paulo mas gostava de ser chamado de Sal esse era seu apelido, era um bad boy vivia matando aula e sendo levado para a sala do diretor mas nunca faziam nada contra ele pela influência de seu pai, Sal fumava, bebia e gostava de seduzir as garotas e uma delas era a inocente Peggy ela suspirava por ele mesmo com todos dizendo que o rapaz só queria uma coisa das garotas sexo. Eric também era rejeitado pelos colegas, era pobre morava no...